Escalada de custos nos EUA acende alerta global para preços de comida
American Farm Bureau Federation (AFBF) — levantamento divulgado recentemente mostra que sete em cada dez agricultores norte-americanos não conseguem bancar todo o volume de fertilizantes exigido pela safra atual, sinalizando pressão direta nos preços das commodities e, por tabela, no bolso do consumidor.
- Em resumo: fertilizantes nitrogenados encareceram mais de 30% desde fevereiro, forçando produtores a cortar aplicação.
Geopolítica trava oferta e turbina a conta do produtor
O estudo, que ouviu mais de 5,7 mil fazendeiros entre 3 e 11 de abril, atribui a disparada de custos ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz e a tensões no Oriente Médio. Segundo dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos EUA e repercutidos pelo G1 Economia, a ureia acumula salto de 47% no ano, enquanto diesel e outros insumos subiram de 20% a 40%.
“Se esse cenário persistir, veremos menos produtividade, redução de área plantada e reflexo direto na oferta de alimentos”, alertou Zippy Duvall, presidente da AFBF.
Como o encarecimento lá fora bate na sua mesa
O milho, a soja e o trigo americanos têm peso decisivo na formação de preços globais. Quando o custo de produção sobe, a cotação internacional tende a acompanhar — e o Brasil, que importa parte dessas matérias-primas para ração animal, sente o efeito em carnes, leite e até no pãozinho. Em 2023, 18% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi influenciado pelas cadeias de grãos, segundo o IBGE.
Especialistas recomendam atenção ao estoque doméstico: aproveite promoções para arroz, óleo e derivados de trigo enquanto ainda estão estáveis. Se o produtor norte-americano reduzir a adubação, a colheita menor pode encarecer esses itens nos próximos meses.
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Crédito da imagem: Divulgação / Canal Rural