Pesquisa mostra como a sobra da cervejaria pode blindar a pele e cortar desperdício
Universidade de São Paulo (USP) — Cientistas descobriram que a biomassa de lúpulo descartada pelas cervejarias pode entrar na fórmula de filtros solares e elevar o fator de proteção, criando um negócio duplamente vantajoso: menos resíduo industrial e mais segurança contra raios UV.
- Em resumo: Extrato de lúpulo reutilizado elevou a eficácia dos cremes em testes de laboratório.
Por que a sobra de lúpulo funciona melhor que o ingrediente “puro”?
Durante o processo de dry hopping, parte dos polifenóis, ácidos amargos e óleos essenciais não migra para a bebida. Esses compostos, concentrados na sobra sólida, apresentam alta atividade antioxidante. Em ensaios de espectrofotometria, o creme com 10 % desse extrato mostrou FPS superior ao de formulações tradicionais, segundo os pesquisadores. Regras da Anvisa para cosméticos exigem testes adicionais antes da venda, mas o passo inicial já sinaliza potencial comercial.
“Os compostos remanescentes formam ligações químicas que ampliam a fotoproteção, algo que não se observa no lúpulo recém-colhido”, explicam os autores do estudo da FCF-USP.
Impacto no bolso, no ambiente e na indústria de beleza
O Brasil produz mais de 14 bilhões de litros de cerveja por ano; cada lote gera quilos de lúpulo usado que, normalmente, viram descarte orgânico. Se parte desse material for redirecionada para cosméticos, as cervejarias podem reduzir custos com manejo de resíduos, enquanto fabricantes de protetor solar ganham um insumo natural de alto valor. Para o consumidor, a tendência é receber produtos mais eficazes sem acréscimo significativo de preço, já que a matéria-prima seria comprada a baixo custo.
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Crédito da imagem: Divulgação / André Rolim Baby – FCF-USP