Isenção federal reacende disputa entre plataformas estrangeiras e lojas nacionais
ABVTEX — A Associação Brasileira do Varejo Têxtil reagiu à Medida Provisória que zerou, recentemente, o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, batizada de “taxa das blusinhas”. A entidade vê ameaça direta ao preço final dos produtos fabricados no país e à manutenção de cerca de 18 milhões de postos de trabalho ligados à cadeia têxtil e de confecção.
- Em resumo: varejistas locais dizem que a isenção quebra a igualdade tributária e pedem compensações urgentes.
Por que a isenção volta ao centro do debate?
A decisão do governo retoma uma discussão que parecia encerrada com a cobrança adotada no ano passado. Segundo levantamento do G1 Economia, plataformas chinesas lideram o envio de pacotes de baixo valor ao Brasil, estratégia que cresce acima de 50% ao ano.
“A medida reduz a isonomia tributária entre operadores instalados no Brasil e empresas estrangeiras”, afirmou a associação em nota oficial.
Como a mudança chega ao seu bolso e às lojas brasileiras
Com o tributo zerado, um vestido importado de US$ 40 pode chegar ao consumidor até 20% mais barato do que o similar nacional, segundo cálculos do setor. Para o pequeno lojista, o impacto recai em margens já apertadas pelo custo Brasil — que inclui juros, logística e burocracia. Dados do IBGE apontam que o vestuário acumula alta de 4,7% no IPCA de 12 meses, pressão que deve se intensificar caso a concorrência sem impostos se consolide.
Especialistas em comércio exterior lembram que países como Estados Unidos e União Europeia mantêm faixas de isenção, mas com fiscalização rígida e sistemas de compensação para a indústria doméstica. No Brasil, ainda não há detalhamento oficial de eventuais contrapartidas fiscais ou ações de controle aduaneiro.
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Crédito da imagem: Divulgação / Canal Rural