Negócio bilionário pode redefinir o espaço de apps de comida nos países em desenvolvimento
Uber Technologies acaba de confirmar uma proposta de € 33 por ação para comprar o restante da Delivery Hero, movimento que, se aprovado, eleva a operação a cerca de € 10 bilhões e reforça a briga por entregas de comida em mercados emergentes.
- Em resumo: aquisição ampliaria presença da Uber em 65 países e pressiona rivais como DoorDash.
Por que a Uber acelera agora?
Com participação já próxima de 20% na alemã Delivery Hero, a companhia dirigida por Dara Khosrowshahi quer aproveitar o rali de quase 50% em suas próprias ações em 2024 para financiar a expansão. Analistas da Bloomberg Intelligence estimam que o negócio possa alcançar entre US$ 15 bi e US$ 18 bi, reforçando a tese de escala antes que concorrentes fechem a porta. Segundo dados do setor compilados pelo G1 Economia, mesmo com inflação de alimentos próxima a 8% ao ano em vários emergentes, a demanda por conveniência segue avançando dois dígitos.
“O acordo daria à Uber um alcance inédito fora dos EUA, especialmente em regiões da Ásia, Oriente Médio e África onde a Delivery Hero já domina”, escreveram Mandeep Singh e Robert Biggar, da Bloomberg Intelligence.
Impacto para o consumidor e cenário no Brasil
A movimentação não inclui o Brasil, onde a Uber encerrou o Uber Eats em 2022 alegando incapacidade de superar o iFood. Ainda assim, a consolidação global pode repercutir por aqui: quanto maior a força financeira da Uber lá fora, mais espaço para subsídios em serviços de mobilidade e eventuais reentradas no delivery nacional, pressionando preços e promoções.
Para o bolso do usuário em outros emergentes, a tendência é de campanhas agressivas, frete reduzido e programas de fidelidade turbinados, práticas comuns quando grandes apps disputam market share. Economistas lembram que, em períodos de inflação alta, descontos logísticos viram fator decisivo na escolha de onde pedir comida.
O que você acha? A eventual compra traria benefícios em ofertas ou geraria monopólio nos aplicativos? Para acompanhar mais análises sobre o setor de food service, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Uber