Entenda por que o custo extra não fica apenas na porteira da fazenda
AliançaBiodiesel — A entidade soou o alarme ao apontar que o Proconve MAR II, padrão de emissões em gestação nos ministérios do Meio Ambiente e da Indústria, deve pressionar para cima o preço de tratores e colheitadeiras já na próxima safra, com potencial de mexer no bolso de quem cultiva e também de quem compra alimentos.
- Em resumo: equipamentos podem ficar entre 15% e 25% mais caros, com impacto maior para a agricultura familiar.
Da fábrica ao supermercado: onde a conta vai parar?
Segundo a AliançaBiodiesel, a indústria terá de investir pesado em ajustes nos motores diesel para cumprir os novos limites de poluentes, desviando recursos antes reservados à descarbonização. O repasse tende a chegar às prateleiras, já que custos agrícolas compõem o preço final dos alimentos. Dados do IPCA divulgados pelo IBGE mostram que a alimentação no domicílio acumula alta de dois dígitos em 12 meses, cenário que pode piorar com máquinas mais caras.
Para equipamentos menores, usados sobretudo por produtores familiares, o aumento pode ultrapassar 25%, diz a entidade setorial.
Diesel S10, Arla-32 e fiscalização: os novos nós operacionais
Além do preço de compra, o custo de uso subiria entre 9% e 20% devido à exigência de diesel S10 e Arla-32. A AliançaBiodiesel lembra que o Brasil não possui estrutura robusta de fiscalização pós-venda; sem controle rigoroso, adaptações irregulares podem proliferar, comprometendo o objetivo ambiental e penalizando quem seguir a regra.
Especialistas do setor veem risco de concentração de mercado: fabricantes nacionais sem motor próprio teriam de importar tecnologia, enquanto multinacionais já dominam esse know-how. Historicamente, quando a concorrência diminui, o produtor rural perde poder de barganha e o consumidor sente a diferença no ticket do supermercado.
O que você acha? A conta deve parar na mesa do consumidor ou o governo precisa recalibrar a proposta? Para mais análises sobre preços e consumo, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Pixabay