Surpresa nas vendas e corte de imposto atiçam mercado e elevam taxas
IBGE — A divulgação de que as vendas do varejo cresceram 0,5% em março, bem acima da expectativa de 0,1%, alimentou a disparada dos juros futuros nesta quarta-feira (13), sinalizando que empréstimos, financiamentos e rotativo do cartão tendem a pesar mais no bolso do consumidor nos próximos meses.
- Em resumo: o DI para jan/27 saltou para 14,21%, maior referência de custo de crédito desde fevereiro.
Por que a curva disparou nesta quarta-feira
Além do dado forte do varejo, o governo retirou o imposto de importação para compras internacionais até US$ 50 e ventilou subsídios à gasolina e ao diesel, medidas que ampliam o risco fiscal. Segundo cálculos oficiais, cada R$ 0,10 de subsídio no litro do diesel pode custar R$ 492 milhões por mês. A combinação de atividade aquecida e contas públicas pressionadas fez o mercado rever prêmios de risco, elevando todos os vértices da curva DI, conforme mostram os números da Agência de Notícias do IBGE.
O DI jan/29 avançou para 14,05%, enquanto o jan/31 bateu 14,11%, patamar que encarece captação bancária e, por tabela, o crédito ao consumidor.
Como o salto nos DIs pesa no seu bolso
Quando a taxa futura sobe, bancos e financeiras reajustam juros de empréstimos, leasing de veículos e até renegociações de dívida. Simulação de analistas mostra que uma alta de 0,5 ponto percentual na curva pode adicionar cerca de R$ 25 mensais a uma prestação de R$ 200 mil em 30 anos. Em tempos de endividamento recorde — 77,7% das famílias, segundo a CNC —, qualquer avanço do DI se traduz em maior aperto no orçamento doméstico.
O que você acha? Sua prestação já subiu ou você pretende adiar compras parceladas? Para entender outros movimentos que afetam o consumo, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Canal Rural