Importações mais baratas da Ásia pressionam a indústria nacional
Anfavea — O ritmo de venda de tratores e colheitadeiras no varejo brasileiro encolheu 13,1% no primeiro trimestre de 2026, um baque direto na hora de investir no maquinário que mantém o campo girando.
- Em resumo: juro alto encarece o financiamento e peças chinesas e indianas, até 27% mais baratas, ocupam o espaço deixado pelas marcas locais.
Peso dos juros trava o crédito para o produtor
Com a taxa básica ainda em patamar de dois dígitos, o produtor que depende de financiamento precisa fazer contas longas antes de trocar o trator. A própria G1 Economia aponta que o custo do dinheiro continua como o maior freio para investimentos de capital fixo nas fazendas.
“O financiamento hoje decide se o agricultor compra ou não a máquina”, reforça Igor Calvet, presidente da entidade, ao defender um Plano Safra mais robusto e linhas do BNDES para baixar o peso das parcelas.
China e Índia aumentam fatia no mercado brasileiro
No mesmo período em que o consumo interno caiu, as importações saltaram 48,4%, somando 3,35 mil unidades. A Índia lidera, com 6 mil máquinas ao longo de 2025, enquanto a China avança 85,7%, chegando a 3,9 mil. A diferença de até 27% no preço final coloca pressão extra sobre as montadoras instaladas no país e ajuda a explicar a quarta queda anual consecutiva nas vendas internas.
Para o restante de 2026, a projeção da Anfavea é de nova retração de 6,2% no mercado doméstico e de 12,8% nas exportações. Já o segmento de máquinas rodoviárias — usado em mineração e obras — deve encolher 4,7%, ainda que 16 mil escavadeiras chinesas tenham entrado no país somente no ano passado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Pixabay