Crédito apertado e juros altos criam “tempestade perfeita” no agro
Agrishow – A maior feira do agronegócio do país virou palco de cobranças após o governo prometer R$ 10 bilhões para máquinas e citar renegociação de dívidas, enquanto produtores já falam em risco de perder fazendas na próxima safra.
- Em resumo: Endividamento recorde coloca R$ 30 bi em renegociações no centro do debate eleitoral.
Projetos correm em Brasília, mas produtores seguem no vermelho
Tramitam na Câmara o PL 5122/2023, que libera até R$ 30 bilhões para refinanciar passivos, e o PL 2951/2024, que cria um fundo de catástrofes no seguro rural. Segundo dados do G1 Economia, a escalada dos juros elevou o custo médio do crédito agrícola para mais de 12% ao ano, patamar considerado “inviável” por associações do setor.
“A margem do produtor hoje é mínima, quando não negativa; os juros beiram a extorsão”, criticou Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura de SP, durante a feira.
Do campo à mesa: por que a crise preocupa quem faz compras
Quando o produtor aperta o cinto, investimentos em tecnologia e produtividade caem, aumentando a chance de menor oferta de alimentos no médio prazo. Historicamente, essa combinação pressiona o índice de inflação dos alimentos, que pelo IPCA já acumula alta de 4,4% em 12 meses.
Especialistas lembram que, se a renegociação travar, propriedades podem ir a leilão, concentrando terras em grandes grupos e reduzindo a competição. No fim da cadeia, o consumidor pode sentir no bolso com preços mais voláteis de grãos, carnes e derivados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Pixabay