Produtores temem efeito cascata nos preços dos alimentos caso o apoio não chegue rápido
Governo Federal – Na 31ª Agrow, em Ribeirão Preto, o anúncio de R$ 10 bilhões em crédito para máquinas agrícolas soou promissor, mas a falta de detalhes sobre a origem do dinheiro e sobre o socorro a dívidas rurais acendeu o alerta do campo — e, por tabela, da mesa do consumidor.
- Em resumo: R$ 10 bi prometidos, mas nenhum plano claro para quem já está endividado.
Anúncio sem manual de instruções preocupa cadeia produtiva
O pacote, batizado de Móvel Agrícola, promete juros de um dígito e liberação em até três semanas pela FINEP, porém sem revelar quais cofres bancarão a conta. Analistas ouvidos pelo G1 Economia lembram que, em 2023, o agronegócio respondeu por 24% do PIB e qualquer ruído de crédito pode travar investimentos e encarecer insumos.
“Sem transparência sobre a fonte dos R$ 10 bilhões, ninguém ousa trocar frota ou ampliar produção”, resumiu uma liderança presente na feira.
Dívida no campo pode virar inflação no prato
Produtores reclamam que a promessa ignora o endividamento crescente, estimado em quase R$ 400 bilhões pelo Banco Central. Sem renegociação, muitos adiam plantio e manutenção de equipamentos, gerando menor oferta e pressão de preços ao consumidor. A Confederação Nacional da Agricultura alerta que, a cada 1% de alta no custo de produção, o preço final de grãos e proteínas sobe, em média, 0,4% no varejo.
O que você acha? A transparência prometida pelo governo será suficiente para baratear alimentos ou o consumidor ainda vai pagar a conta? Para mais análises sobre consumo e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Canal Rural