Futebol aquece o caixa dos torcedores, mas congela o inverno das vitrines
Camisas da Seleção Brasileira — peça oficial da Nike com transmissão dos jogos confirmada na Band — viraram a bola da vez no varejo esportivo e já pressionam as lojas de roupa tradicional, que projetam retração bem no início do inverno.
- Em resumo: venda de itens ligados ao futebol cresce, enquanto o restante do guarda-roupa perde espaço e deve cair 2,7% durante a Copa.
Quando o verde-amarelo brilha, o resto das araras escurece
Levantamento da IEMI – Inteligência de Mercado mostra que o mercado de artigos esportivos girou R$ 61,4 bilhões em 2025, dos quais R$ 20,5 bilhões vieram do futebol. O avanço se intensifica à medida que a Copa de 2026 se aproxima: o Índice do Varejo Stone já indicou alta de 1,3% em tecidos, vestuário e calçados em abril. Para Marcelo Prado, da IEMI, “quem apela para as cores da Seleção acaba tendo impacto positivo”. A estimativa, porém, é de queda de fluxo nas lojas físicas e recuo de 2,7% no volume de peças de moda vendidas nos meses do Mundial.
“Quem apela para as cores da seleção acaba tendo impacto positivo”, destaca Marcelo Prado, diretor do IEMI.
Essa inversão de prioridades repete o que ocorreu em 2022, quando o setor caiu 13,6% durante o torneio. Se repetir o roteiro, lojas de shopping tendem a esvaziar no fim da tarde, horário de muitos jogos.
E-commerce dribla o prejuízo, mas não vence sozinho
Hoje, 10% das roupas e 15% dos calçados já são comprados on-line, segundo CNDL/SPC Brasil. O consumidor híbrido pretende alternar entre loja física e app de entrega, o que alivia parte da perda nas vitrines. Ainda assim, o tíquete médio do inverno — tradicionalmente mais alto por causa de casacos e botas — pode ficar comprometido. O histórico do IPCA indica que peças de inverno acumulam inflação abaixo da média geral, mas sem volume de vendas o faturamento não fecha a conta, alertam economistas baseados em dados do IBGE.
Para segurar o torcedor-consumidor, especialistas sugerem combos temáticos, cashback instantâneo e retirada rápida pós-jogo. Outra aposta é transformar a loja em “ponto de torcida”, com telão e entrega expressa de camisas, estratégia que grandes redes como Centauro adotaram em 2014 com retorno acima da média.
O que você acha? A febre da Seleção justifica adiar a compra do seu casaco novo ou vale aproveitar as promoções de inverno vazias? Para mais análises sobre consumo e varejo, visite nossa editoria de Supermercado e Consumo.
Crédito da imagem: Divulgação / Nike