Tecnologia nacional promete economia e menos poluição no campo
Embrapa – A estatal de pesquisa agropecuária apresentou recentemente a estruvita, fertilizante granulado extraído de resíduos da suinocultura que consegue suprir até 50% da demanda de fósforo em culturas como soja e trigo, aliviando o bolso do produtor e a dependência de insumos importados.
- Em resumo: O novo adubo reduz pela metade o uso de fosfato importado sem derrubar a produtividade.
Como a estruvita vira substituta do fosfato importado
Formada por cristais de fosfato de magnésio e amônio, a estruvita é obtida pela precipitação química dos nutrientes presentes nos dejetos de suínos. Segundo dados do IBGE sobre o mercado de fertilizantes, o Brasil importa mais de 80% do fósforo que utiliza – um gargalo de custos que ficou evidente após o choque de preços de 2022.
“Estamos criando uma nova rota tecnológica para o campo brasileiro, alinhada à sustentabilidade, à autonomia e à inovação”, destaca Caio de Teves Inácio, pesquisador que coordena o estudo na Embrapa Agrobiologia (RJ).
Impacto direto no dia a dia do produtor – e do consumidor
Em solos tropicais, onde o fósforo costuma ficar rapidamente indisponível, a liberação lenta da estruvita eleva a eficiência de uso do nutriente e evita perdas por fixação. Estudos em casa de vegetação mostraram ganhos de até 50% na recuperação do fósforo aplicado, resultando em plantas mais nutridas nas primeiras quatro semanas de cultivo.
O adubo pode ser aplicado puro ou combinado a fertilizantes solúveis em dosagens de 50% a 100%, adaptando-se a diferentes tipos de solo. Na prática, granjas com mais de 5 000 suínos teriam potencial para gerar 340 mil toneladas/ano do insumo, transformando um passivo ambiental em fonte de receita e reduzindo o risco de contaminação de lençóis freáticos.
Para o consumidor urbano, o efeito aparece no longo prazo: menor custo de produção tende a segurar pressões de preço sobre alimentos básicos como o óleo de soja e o pão de trigo, sobretudo em cenários de câmbio alto ou cadeia logística tensionada.
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Crédito da imagem: Divulgação / Embrapa