Retração do fertilizante abre janela rara para compras antecipadas
UREIA – Depois de dois meses de disparada, o fertilizante registrou a segunda semana seguida de queda e já é fechado a menos de US$ 770 a tonelada nos portos brasileiros, segundo a consultoria StoneX. O recuo pode aliviar, já neste trimestre, parte das contas de quem está montando o pacote tecnológico da próxima safra.
- Em resumo: preço internacional recua e melhora a relação de troca para o produtor rural.
Demanda global enfraquece e pressiona as cotações
A forte valorização do início do ano esbarrou em compradores cautelosos. Com o consumo em ritmo menor nos Estados Unidos, China e Oriente Médio, a procura perdeu fôlego, o que abriu espaço para correções. A própria StoneX observa que o fator “demanda fraca” passou a pesar mais que as restrições de oferta. Dados do IBGE reforçam que o gasto com fertilizantes representa até 36 % do custo total de produção em culturas como o milho, o que explica a sensibilidade em relação a qualquer oscilação de preços.
“Mesmo em um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a força compradora arrefeceu e trouxe alívio pontual às cotações”, destaca Tomás Pernías, analista da StoneX.
O que muda no caixa das fazendas brasileiras
Embora novas quedas sejam vistas como limitadas por gargalos logísticos no Oriente Médio – região que concentra boa parte das exportações de ureia e amônia – o valor atual já permite renegociar pacotes de insumos. Produtores que haviam segurado a reposição, esperando alívio, podem aproveitar a“janela de compra” para travar parte das necessidades antes do pico de consumo entre julho e agosto.
Se confirmada, uma redução de 5 % no preço da ureia tira pressão de culturas intensivas em nitrogênio, como trigo e cana-de-açúcar. Em um cenário de margens apertadas, economizar até R$ 100 por hectare pode significar a diferença entre empatar ou fechar a safra com lucro, observam consultorias de mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Canal Rural