Super-ricos trocam quadros por ativos que voam alto em tempos de juro caro
Mercado de arte – Nos últimos meses, compradores de alto poder aquisitivo têm virado as costas para pinturas milionárias e direcionado o dinheiro para bens “utilitários” de luxo, como jatos privados, num movimento que pressiona preços de obras icônicas e pode redefinir expectativas de retorno.
- Em resumo: telas de Andy Warhol perderam 85% em valor nos leilões de 2025, enquanto a entrega de Gulfstreams alcançou o maior nível em 15 anos.
Juros altos corroem o apelo financeiro das telas
O colecionismo ganhou DNA de Wall Street quando gestores de hedge funds passaram a usar quadros como garantia para levantar crédito. Só que, com a taxa básica dos EUA no maior patamar desde 2007, o custo dessa alavancagem subiu, tornando arriscado “estocar” arte na parede. Dados da Art Basel mostram que, mesmo com o S&P 500 rondando recordes, as vendas globais de obras seguem 7% abaixo de 2019.
Obras arrematadas nos EUA entre 2020 e 2025 renderam, em média, –5,7% ao ano, segundo Bank of America e ArtTactic.
O impacto no seu bolso e nas carteiras alternativas
Quem vê quadros como “porto seguro” precisa recalcular rota: especialistas recomendam horizonte mínimo de 10 anos apenas para empatar o investimento, sem contar seguro, armazenamento e comissão de leilão. Já jatos e superiates, apesar de também serem bens depreciáveis, oferecem utilidade imediata e sinal de status, atributos que parecem pesar mais na decisão de compra dessa elite.
O que você faria? Manteria a obra no cofre ou trocaria por outro ativo de luxo? Para acompanhar mais análises sobre consumo e investimento, visite a nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / ArtTactic