Manobra logística garante fôlego ao correio americano e mantém promessa de entrega rápida
Amazon – Recentemente, a empresa assinou um novo contrato que congela 80% do seu atual fluxo de encomendas com o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), o equivalente norte-americano aos Correios. A tacada preserva mais de 1 bilhão de pacotes por ano na malha pública e segura, por ora, a agência à beira do vermelho.
- Em resumo: o USPS ganha receita essencial enquanto a Amazon mantém cobertura na “última milha” rural.
- Direção do correio alerta que caixa poderia secar no início de 2025 sem essa parceria.
USPS respira, mas dívidas ainda preocupam Washington
O diretor-geral David Steiner avisou ao Congresso que, sem receitas extras, o estoque de caixa secaria em poucos meses. Segundo dados levantados pelo G1 Economia, a agência já acumula déficits há mais de uma década porque não recebe repasses federais e precisa se autofinanciar.
“Alcançamos um novo acordo que amplia nossa parceria de longa data e segue beneficiando clientes e comunidades”, destacou Terrence Clark, porta-voz da Amazon.
Por que a Big Tech também depende do correio público
Mesmo investindo US$ 4 bilhões em centros de distribuição rural e planejando 200 unidades até dezembro, a Amazon não consegue replicar, sozinha, a capilaridade de 233 mil rotas diárias do USPS. Transportadoras privadas evitam percursos em que o custo de combustível supera a margem de lucro, e é aí que o serviço postal preenche a lacuna.
Para os consumidores, o pacto reduz o risco de atrasos ou sobretaxas em entregas para pequenas cidades. Em linguagem simples: sem o USPS, a Amazon teria de repassar ao carrinho do cliente um frete mais caro ou entregar em prazos maiores, o que pressionaria todo o mercado a rever tabelas de logística – inclusive no Brasil, onde o debate sobre a sustentabilidade dos Correios segue intenso.
Analistas lembram que a dependência mútua oferece um alerta local: se grandes varejistas forem os principais financiadores do correio público, os termos privados passam a ditar o ritmo de um serviço essencial. O Procon já estuda cenários parecidos em soluções de entrega compartilhada para proteger o consumidor final.
O que você acha? O modelo americano deveria inspirar uma parceria semelhante com os Correios brasileiros? Para mais análises sobre consumo e logística, visite nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Amazon