Crescimento da oncologia contrasta com juros altos e prejuízo contábil
Kora Saúde – A rede hospitalar divulgou recentemente o balanço de 2025: mesmo com receita líquida 5,1% maior e o dobro de caixa operacional, o peso dos financiamentos fez o prejuízo bater R$ 421,3 milhões, sinal de alerta para quem depende ou investe na companhia.
- Em resumo: dívida líquida chega a R$ 2,51 bi e supera em 4,67 vezes o Ebitda ajustado.
Contas médicas disparam acima da receita
No quarto trimestre, os custos dos serviços prestados saltaram 11,7% e passaram a consumir 82,8% da receita líquida. Segundo dados do G1 Economia, o setor hospitalar convive com inflação de insumos acima do IPCA, agravada pelo câmbio pressionando itens importados.
Materiais e medicamentos avançaram 21,5% no período e derrubaram a margem bruta de 20,4% para 17,2%.
Pressão financeira vira gargalo para expansão
O resultado financeiro negativo alcançou R$ 646,4 milhões em 2025 – alta de 46,7% – puxado por um custo médio de CDI + 3,09%. Com a Selic mantendo-se em dois dígitos por boa parte do ano, cada ponto percentual adicionado às dívidas alongadas impacta diretamente o caixa.
Mesmo assim, a companhia ampliou os leitos operacionais em 6,6% e viu a oncologia crescer 17,3% no acumulado anual, chegando a R$ 221 milhões em receita. O tíquete médio por paciente-dia subiu para R$ 5.564, mas a ocupação de leitos recuou para 73% no fim do ano, reforçando o desafio de diluir custos fixos.
O que isso muda na vida de pacientes e investidores?
Para quem possui contrato com hospitais da rede, o quadro pode significar reajustes de preços ou redução de serviços não essenciais caso a reestruturação de dívidas avance. Já acionistas e credores monitoram de perto o waiver concedido às debêntures: se a alavancagem não cair abaixo de 5 vezes Ebitda ajustado, novas cláusulas podem ser acionadas.
Historicamente, empresas de saúde que cruzam o patamar de 4 vezes dívida/Ebitda costumam renegociar prazos ou vender ativos para ganhar fôlego. A Kora, inclusive, avaliou pedido de recuperação extrajudicial no início de abril, o que acende o sinal amarelo num mercado que já viu Hapvida e Oncoclínicas recorrerem a cortes e mudanças de gestão.
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Crédito da imagem: Divulgação / Kora Saúde