Agronegócio sente o baque e consumidor pode ver impactos nas gôndolas
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) — O recuo de 26% nas vendas brasileiras ao Oriente Médio em março acendeu o sinal de alerta: com menos cargas de frango, soja e carne suína atravessando o oceano, o excedente tende a ficar no mercado interno, influenciando oferta e, possivelmente, o preço que chega ao seu prato.
- Em resumo: US$ 1,2 bilhão virou US$ 882 milhões em negócios com a região, puxando o agronegócio para baixo.
Carne suína despenca; frango e soja também sofrem
Os números oficiais mostram o tamanho do tombo: embarques de carne suína encolheram 59%, enquanto o frango — proteína mais consumida no país — cedeu 22%. A soja, base da balança comercial, viu retração de 25%, segundo levantamento do G1 Economia.
“Ainda é cedo para mensurar todo o efeito da guerra sobre o comércio”, avaliou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas do Mdic, lembrando que o fluxo pode voltar a oscilar já com o acordo de trânsito de cargas via Turquia.
O que muda para o bolso do brasileiro
Na prática, mais proteína disponível internamente tende a aliviar pressões inflacionárias sobre alimentos, segundo analistas consultados. Em 2023, carnes representaram cerca de 5% do IPCA; qualquer folga de oferta pode frear reajustes no açougue. Contudo, o alívio pode ser temporário: o governo instituiu alíquota de 12% sobre exportações de petróleo — outro componente-chave do custo logístico — e isso pode neutralizar parte do ganho na cadeia.
Além disso, a China aumentou suas compras em 17,8%, compensando parte da perda no Oriente Médio e mantendo a demanda externa aquecida. Ou seja, a queda de preços no mercado interno não é garantida, mas o consumidor deve ficar atento a promoções de frango e cortes suínos nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Wikimedia Commons