Oferta limitada, frete alto e qualidade escassa formam “tempestade perfeita”
Trigo no Brasil — A atual entressafra deixou de ser mero intervalo e virou ponto crítico para o bolso do consumidor: a combinação de oferta curta no Mercosul, lotes de baixa proteína na Argentina e fretes mais caros já pressiona os moinhos e acende o alerta de reajuste na farinha.
- Em resumo: custo industrial disparou e pode aparecer no preço do pão e da massa ainda neste semestre.
Escassez de grãos de qualidade eleva disputa entre moinhos
No Mercosul, os estoques que restam são pontuais e pouco padronizados. O trigo argentino, apesar do volume, carece de proteína, obrigando moinhos exigentes a importar de origens mais distantes, como Rússia ou Estados Unidos. Esse movimento acontece justo quando o frete marítimo sobe, reflexo das tensões no Oriente Médio, e o rodoviário interno também encarece pela prioridade dada à safra de verão. Segundo dados do IBGE, o transporte responde por parcela relevante da inflação de alimentos, amplificando o efeito da logística sobre o trigo.
Farelo de trigo representa, em média, mais de 10 % da receita de um moinho; com a queda recente desse subproduto, a farinha precisa subir para manter as margens.
Do campo ao prato: como isso chega ao bolso do consumidor
Moinhos do Sul que anteciparam compras navegam com mais previsibilidade, mas, do Sudeste ao Norte, a dependência de importados e do câmbio torna o cenário mais caro. Para quem compra farinha ou pão no supermercado, o impacto pode vir em forma de embalagens menores ou reajuste direto na gôndola. Produtores também avaliam reduzir área de plantio na próxima safra, e o risco climático do El Niño ameaça repetir o aperto de oferta, criando um ciclo de preços sustentados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Embrapa