Revisão contábil acende sinal amarelo para investidores e usuários do serviço
Aegea — maior grupo privado de saneamento do país — divulgou recentemente o balanço de 2025 e reapresentou os números de 2024, cortando cerca de R$ 5 bilhões do patrimônio líquido. A mexida não altera o caixa imediato, mas eleva a preocupação com alavancagem, dívidas futuras e, na ponta, o bolso de quem paga a conta de água.
- Em resumo: Lucro de 2024 caiu R$ 593,3 milhões e dívida líquida de 2025 saltou para R$ 47,044 bilhões.
Aonde foi parar o dinheiro?
O ajuste mirou três frentes: reconhecimento de receita de clientes inadimplentes, novas premissas para obras em PPPs e reforço na provisão de perdas de crédito. Segundo a companhia, a receita de serviços de água só será contabilizada após pagamento quando o débito estiver atrasado há mais de seis meses, o que afetou principalmente a operação Águas do Rio. Em paralelo, a metodologia de cálculo da margem de construção passou a usar parâmetros financeiros alinhados às melhores práticas, reduzindo ativos contabilizados.
O patrimônio líquido consolidado encolheu de R$ 11,4 bi para R$ 6,39 bi, queda de 44% — fato que, segundo a KPMG, exige “monitoramento reforçado de controles internos”.
Pressão nas contas e na tarifa
Mesmo com receita líquida proforma avançando 20,6% em 2025, o lucro despencou 31%, refletindo despesas maiores e provisões mais robustas. A alavancagem subiu para 4,51 vezes o EBITDA, patamar que limita novas captações baratas e pode encarecer investimentos — custo que costuma ser repassado gradualmente às tarifas de água e esgoto.
Economistas lembram que, em um cenário de Selic ainda elevada, empresas muito endividadas tendem a destinar uma fatia maior do faturamento ao serviço da dívida, reduzindo espaço para expansão. Para o consumidor, isso pode significar atrasos em obras de universalização ou pedidos de revisão tarifária extraordinária para equilibrar o caixa.
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Crédito da imagem: Divulgação / Aegea