Trabalhos por app e envelhecimento da população estão virando o jogo nos canteiros
Sinduscon-SP – Na última semana, o sindicato que representa as construtoras paulistas voltou a soar o alerta: encontrar pedreiro, mestre de obra ou armador virou tarefa cada vez mais difícil, o que já estica prazos de entrega e ameaça elevar o custo final de qualquer reforma ou apartamento na planta.
- Em resumo: menos gente topa o serviço pesado da obra enquanto aplicativos e programas sociais mudam a disputa por trabalhadores.
Por que o pedreiro sumiu do canteiro?
Estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV aponta que a baixa natalidade, a maior escolarização e a migração de jovens para a gig economy formaram uma combinação inédita. Segundo o IBGE, já são 1,7 milhão de brasileiros atuando em apps de transporte e delivery, o mesmo perfil que historicamente abastecia os canteiros.
“Ninguém vive bem com Bolsa Família. Esse papo de que o benefício roubou o trabalhador é balela”, dispara David Fratel, diretor do Sinduscon-SP.
Impacto direto na sua obra e no preço do imóvel
Com menos profissionais disponíveis, construtoras recorrem a empreiteiros que cobram mais pela hora-homem. Isso se reflete no Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), cuja inflação acumulada já supera a média do IPCA e encarece materiais e mão de obra. Para o consumidor, cada mês extra de obra significa aluguel a mais ou atraso na mudança, sem contar o sobrepreço de até 15% em reformas residenciais, segundo estimativas de consultorias do setor.
Especialistas lembram que a construção responde por cerca de 6% do PIB brasileiro e emprega 8 milhões de pessoas. A saída, defendem empresas e sindicatos, passa por industrializar o processo – como painéis pré-moldados que levantam paredes em minutos – e valorizar a carreira com cursos do Senai, certificações e melhores salários.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil