Combustível em alta e inadimplência travam investimentos no campo
Abimaq projeta para 2026 um recuo de 8% na comercialização de tratores, colheitadeiras e plantadeiras, cenário que pode encarecer a produção agrícola e, em última instância, pesar no valor final dos alimentos.
- Em resumo: só nos dois primeiros meses, as vendas cederam 17%, somando R$ 8 bilhões.
Trator na garagem: por que o produtor está segurando a troca?
O salto internacional do petróleo, inflado pela tensão no Oriente Médio, encarece o diesel e corrói a margem de lucro do agricultor. Ao mesmo tempo, a Selic elevada e a inadimplência de 7% — nível quase cinco vezes maior que a média histórica — dificultam crédito e alongamento de prazos, segundo dados consolidados pelo G1 Economia.
“Vai aumentar o custo, já aumentou”, alerta Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade.
Impacto direto na mesa do consumidor urbano
Com menos máquinas novas em operação, a eficiência da colheita tende a cair, elevando gastos com manutenção e consumo de combustível. Economistas lembram que o setor de grãos, responsável por mais de 70% da oferta de itens básicos, repassa parte dessas despesas ao atacado — e, na sequência, ao supermercado. Um histórico do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que, após recuos nas prateleiras em 2024, alimentos voltaram a acelerar neste semestre impulsionados justamente pelos custos logísticos.
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